19 de jan de 2010

Limites (Reflexão)

Limites



Somos as primeiras gerações

de pais decididos a não

repetir com os filhos,

os erros de nossos progenitores...

...e com o esforço de abolirmos

os abusos do passado...

...somos os pais mais dedicados

e compreensivos mas,

por outro lado

...os mais bobos e inseguros

que já houve na história.


O grave é que estamos lidando

com crianças mais “espertas”

do que nós, ousadas, e mais

“poderosas” que nunca!


Parece que, em nossa tentativa

de sermos os pais que queríamos ser,

passamos de um extremo ao outro.


Assim, somos a última geração

de filhos que obedeceram a seus pais...

... e a primeira geração de pais

que obedecem a seus filhos.


Os últimos que tivemos medo dos pais...

...e os primeiros que tememos os filhos.


Os últimos que cresceram sob

o mando dos pais...

E os primeiros que vivem sob

o jugo dos filhos. E, o que é pior...

...os últimos que respeitamos nossos pais...

(Às vezes sem escolhas...)

...e os primeiros que aceitamos que

nossos filhos nos faltem com o respeito.


À medida que o permissível substituiu

o autoritarismo, o termo das relações

familiares mudou de forma radical...

...para o bem e para o mal.


Com efeito, antes se considerava

um bom pai, aquele cujos filhos se

comportavam bem, obedeciam a suas ordens,

e os tratavam com o devido respeito.


E bons filhos, as crianças que eram formais,

e veneravam seus pais, mas à medida que

as fronteiras hierárquicas entre

nós e nossos filhos foram se desvanecendo...

...hoje, os bons pais são aqueles que

conseguem que seus filhos os amem,

ainda que poucos o respeitem.


E são os filhos, quem agora, esperam

respeito de seus pais, pretendendo de tal

maneira que respeitem suas idéias,

seus gostos, suas preferências e sua

forma de agir e viver.


E que, além disso, que patrocinem no

que necessitarem para tal fim.


Quer dizer; os papéis se inverteram.


Agora são os pais que têm que agradar

a seus filhos para “ganhá-los” e

não o inverso como no passado.


Isto explica o esforço que fazem

tantos pais e mães para serem os

melhores amigos e “darem tudo”a seus filhos.


Dizem que os extremos se atraem.

Se o autoritarismo do passado encheu

os filhos de medo de seus pais...

...a debilidade do presente

os preenche de medo e menosprezo...

ao nos verem tão débeis e perdidos como eles.


Os filhos precisam perceber que durante

a infância, estamos à frente de suas vidas,

como líderes capazes de sujeitá-los

quando não os podemos conter...

... e de guiá-los, enquanto não

sabem para onde vão...


É assim que evitaremos que as novas

gerações se afoguem no descontrole e

tédio no qual está afundando uma

sociedade que parece ir à deriva,

sem parâmetros nem destino.


Se o autoritarismo suplanta,

o permissível sufoca.


Apenas uma atitude firme, respeitosa,

lhes permitirá confiar em nossa

idoneidade para governar suas vidas

enquanto forem menores, porque vamos

à frente liderando - os...

...e não atrás, carregando - os

e rendidos às suas vontades.


Os limites abrigam o indivíduo.


Com amor ilimitado e profundo respeito.



Mônica Monastério
( Madrid-Espanha )

11 comentários:

Ana Lucia Nicolau disse...

bem bacana a poesia....gostei muito....
abs

concentrado disse...

Uma bela reflexão amigo. Parabéns.

Rosianinha disse...

Este é um assunto que, por vezes, até evitamos falar a respeito, mas é de extrema relevância não só falar como refletir sobre ele.
Educação é uma ação extramente complexa e exige bom senso e sobretudo muito equilibrio. E talvez esta seja a grande dificuldade que nos assombra e assola, seja enquanto pais ou filhos. Creio que algumas falhas estão justamente em ficar nos extremos (autoritarismoX liberdade) sem buscar um meio termo. Infelizmente, muitos ainda confundem disciplina com violência física, confudem limites com superproteção e liberdade e autonomia com abandono e o resultado disso tudo acaba sendo devastador para as famílias e os lares.
Parabéns pela postagem, é um belo poema.
Beijos

Rosi

Leobleach disse...

Oi Mad

O texto é excelente, valeu a pena conferir, tantas patagrafos dissertam fases de nossas vidas tanto na infancia, adolescencia e principalmente na fase adulta.
Devemos sim rever nos valores a fim de que possamos entender o porque de tantas mudanas nesta sociedade louca.
Não podemos jamais esqucer de abraçar nossos filhos para que eles não se sintam abandonados por não aceitarmos tais mudanças.
A vida é assim, naascemos, vicemos, mudamos e morremos, mas devemos passar por todas estas fases da melhor maneira possível.

Valeu, o texto é de emocionar, adorei

Leo

França disse...

Ola

Após ler e reler o seu texto que por sinal foi muito bem elaborado, percebo que as mudanças estão ai e devemos aceitá-las.
Sei que é difícil mas não temos outra saída, o ínico caminho é tentar consciliar estes fatos novos para que não se perca á rédeas sobre nossos filhos.
Parabens rapaz, voce sabe escolher o que realmente é bom para nos enviar.
Abraços
França

Jucafé disse...

Parabens pelo post
Muito interessante e com muita realidade
Voce escolheu um texto que precisavamos ler para poder entender tantas mudanças nesta nossa nova juventude.
Valeu rapaz
Abraços
Juca

Aghata disse...

Menino

Que lindo texto é este ?
Nunca imaginei que poderia encontrar um texto tão lindo para desfrutar.
Sempre pensei que tão belas palavras não fossem possíveis de se encontrar, mas voce conseguiu dar um show.
Todos nós vivemos esta realidade, mas nunca paramos para pensar a respeito, com o texto podemos e devemos fazer uma bela reflexão do que são os nossos dias e tentar buscar as respostas para tantos conflitos familiares.
Nunca devemos deixar de lembrar que o mundo evolui e com ele devemos seguir o mesmo caminho, para tanto só podemos nos adequar as novas mudanças e agarrar nossos filhos para que nunca se percam nesse mundo tão louco.
Adorei, e confesso fiquei emocionada com tão lindas palavras.
Beijos a voce querido.
Aghata

Rosana Madjarof disse...

Mad,

Parabéns pelo belíssimo texto, que mostra a realidade dura e crua da relação entre pais e filhos de ontem e de hoje.

Os pais de ontem eram mais austeros, e por sua vez, os filhos eram tementes a seus pais, respeitando-os e obedecendo-os, mesmo que contra vontade.

Hoje em dia, os pais vangloriam-se dessa tal liberdade, e assumem papéis de irmãos aos invés de pais, deturpando a educação de seus filhos, que não sabem respeitá-los, pois os próprios pais não exigem tal respeito, já que também não sabem respeitar seus filhos.

O que está faltando meu amigo, é o amor entre pais e filhos, é a conversa amiga, os ensinamentos religiosos, o valor da família que está deteriorado...

Mad, agradeço por tão brilhante postagem, pois certamente tocará a muitos pais e filhos que a lerem.

Bjs.

Rosana.

Carolbio disse...

assunto para bastante reflexáo..mto interessante sua maneira de aborda-lo
bjp

C C Maia disse...

Como td mundo já disse o importante, vou contar 2 casos q elucidam o texto.
Um dia recebi um colega de meu filho, hj c 20 anos, mas na época tinha ele eo colega uns 10 anos. Na hora q fui preparar o almoço o garoto desfilou uma lista bem peuqena do q comia, repetindo o q sua mãe me dissera (até estranhei já q os pais são médicos). Na hora de cozinhar o macarrão ele postou-se ao lado do fogão, dizendo q os minutos precisavam ser exatos, eu fazia outyras coisas e no momento q ele gritou q tava na hora, eu me assustei e deixei cair algo q tinha na mão. Abaixei-me p pegar e fui então tirar seu macarrão, servi o prato dele (a la carte) e na hora q todos sentamos à mesa, ele olhou o prato, olhou-me friamente e disse seco: "Não vou comer. passou 1 min e 3 seg do tempo.
O outro episódio foi c 2 irmãs, amiguinhas de minha filha. Elas chegaram e trepavam em tudo, pela estante da sala, nos móveis do quarto da minha filha, quebraram algumas coisa e eu comei a ficar c os cabelos em pé, morrendo de medo q elas se machucassem, pq n me escutavam. Vendo q a coisa podia ficar feia, chamei -as com voz autoritária e falei q elas ali em casa tínhamos regras, não se trepava em móveis, pq além disso poderiam cair e se machucar feio. Olharam 1 pra outra e disseram q os pais n falavam assim c elas. No dia seguinte os pais n me cumprimentaram, e assim foi durante 1 tempo. Um dia numa reunião de pais, a mãe falou-me que achava q as crianças deveriam ter liberdade criativa e q eu precisava avaliar o jeito como criava meus filhos. Pormenor: ela era formada em psicologia da educação, algo assim, tinha doutorado e tudo.
Ninguém mais do q eu abomina a educação antiga, pq levei muita surra por pouca coisa, tanto em casa, como no colégio, mas sempre achei que educação é antes de mais nada respeito pelo próximo, pais e todo o mundo, desde o pedinte na rua, passando pelo colega da escola, n importa se de outra raça, religião, cultura, até o juiz mas n por causa do título e sim pq é gente. Sempre lhes falo se aprenderem isto terão aprendido muita coisa, até pq vivemos em um mundo, e isto é muito sentido no Brasil, onde o nosso governo (acho q td o governo é 1 exemplo como o pai e mãe numa família) n tem qualquer respeito pelo povo. Acho portanto q o problema é bem mais grave.

Paula disse...

É artigo muito interessante. Foi um grande prazer lê-lo, pois é muito informativo e inteligente. Muito obrigado por postar isso aqui!

 
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